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um blog, aqui. uma peça, atualmente em cartaz. um filme, em algum lugar do futuro. músicas e sentimentos, em toda parte.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

a bailarina e o astronauta

quem eu amo, diz que precisa de mim.

ele, que foi amado, no dia de seu aniversário, talvez quisesse ser tratado como príncipe. talvez gostasse que ele, que o amou, surgisse com um presente, um sorriso, dezenas de assuntos e muitas saudades.

ele, que amou, deixa um recado na secretária eletrônica.

ele, que amou, já nem lembrava direito do som da voz dele, que foi amado. mas a secretária eletrônica o lembrou - assim como o lembrou da personalidade amável que causou com que ele, que amou, amasse.

eles, agora, são dois corpos bastante separados em uma cidade grande.

ele, que amou, às vezes se pergunta se ele, que foi amado, ainda se lembra dos dois juntos.


- o que você é dele?
- dele - ele respondeu.


domingo, 17 de janeiro de 2010

sábado, no verão

ele chega em casa e escuta músicas para cortar os pulsos e ele quer que essa peça já existisse. ele tem preguiça existencial e melancolia aguda, ele tem vontade de tentar dormir de novo embaixo da mesa ou de comer um sanduíche, ele tem só vontade, mas ainda não há sol.

ele tem vontade de que o futuro não chegue nunca ou que ele chegue logo para lavar embora tudo o que ainda resta do que não é bom.

ele chega em casa de madrugada, ainda antes de cruzar a fronteira da manhã, mas ele ouve essas músicas e ele queria assistir a essa peça, em vez de ter que fazê-la. ele se sente sozinho e triste e patético e ele deseja que você nunca tivesse existido, para que não tivesse vindo estragar o que era perfeitamente certo. mas já que você existiu e em algum lugar ainda existe, ele só deseja que você desapareça, para que ele não se sinta mais patético.

ele tem vontade de beber água e tomar sorvete e sair cantando pela rua como se chovesse, mas agora não chove mais e tudo o que ele pode esperar é dormir em sua própria cama. ele gosta de ‘camas desfeitas’ e gostaria de talvez acordar em uma que não fosse a sua própria, só para sentir saudade dela e sentir-se inútil e desoladoramente boêmio como ele vem lutando para não mais ser.

ele queria de novo confrontar-se de surpresa com uma parada de elefantes ou, atualizado, ele queria fugir para uma ilha onde estão as coisas selvagens. onde vivem os monstros. sua melancolia solitária é a de um garoto em seu iglu, seus vôos fantasiosos são belos como aqueles nascer e pôr do sol, seus afetos são delicadamente monstruosos.

ele que nem sabe mais fingir que tem um tapete voador, ele vai dormir. mas sem querer.


sábado, 14 de novembro de 2009

ressaca

e de dentro desse meu mar ressacado, eu olhava o céu cinza e a tormenta e as ondas transtornadas me prendendo, e não me movia, sentindo esse mar mexer no aqui de dentro. eu tinha vontade de não querer mais nada e desaparecer um pouco, pra ver se desaparecia com tudo isso que é de sentir.



segunda-feira, 9 de novembro de 2009

eu queria ficar com você só pra terminar com você e poder sofrer e te gritar o quanto meu sofrimento é grande porque o meu amor é grande e o quão infeliz você é de perder uma pessoa tão especial quanto eu.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

peer pressure (parada de elefantes)

chegando em casa de manhã, as primeiras luzes do sol refletidas nos prédios da frente, ele acha que tudo parece melancólico.

ele sente que podia sair flutuando pela janela, como se o seu corpo boiasse no mar, ele que se sente à deriva - ele que se sente...

seu coração também flutua dentro dele, sem alento, sem bússolas. ele poderia querer estar diante de uma parada de elefantes, inusitado e simples assim. feliz sem explicação.

ele sabe qual a música que faria seu corpo errante como seu coração, na atmosfera difusa de mais uma manhã a qual ele chega acordado.

ele então coloca a música para tocar no computador, pensando que gostaria de saber tocar piano para tocá-la ele mesmo.

pesado, seu corpo só faz mesmo deitar embaixo da mesa e, ali mesmo, adormecer.


domingo, 9 de agosto de 2009

alice

- por que mesmo quando você tá perto você tá longe, Alice?

- eu tô perdida (eu tô perdida).

- eu te amo.

(através do vidro)

me encontre

me encontre em Montauk.

ou, se você preferir, somente no bosque.

mas me encontre.